Estilhaços
Tudo começou com uma obra pouco conhecida de Ellsworth Kelly, Seine, 1951. A visão singular do cintilar da ribeira. Os jogos de luz e sombra reduzem-se à sua expressão mais simples: uma sucessão de quadrados pretos e quadrados brancos — uma evocação marcante dos futuros píxeis que hoje compõem o nosso mundo, e também da sua polarização.
O aspeto contrastante desta obra inspirou-nos profundamente. Andrea, na sua prática fotográfica com espelho no espaço público e privado, como fratura do real e reflexo mutável do mundo. Patrick, na sua prática experimental: o papel fotográfico tradicional usado como negativo na câmara fotográfica, daí as imagens contrastadas e duras, onde a realidade não é imediatamente apreensível. E também a imagem digital, mais nítida, com a qual ele sublimou os bustos dos residentes.
Tantos estilhaços à beira e no meio da ribeira.