Cemitério de insetos
Comecei a recolher os corpos de insetos mortos que encontrava por acaso. Queria vê-los mais de perto, e o meu scanner de negativos era a ferramenta perfeita para isso. Não sabia ainda onde é que este projeto me levaria.
Gostava da estética dos insetos, das suas texturas. Gostava também de prestar atenção aos seus corpos abandonados. Publicava estas imagens no Instagram. Foi aí que Nathanaëlle Quoirez me propôs uma colaboração: trabalhar as minhas imagens com a sua poesia. Ela imaginou as últimas palavras desses insetos — uma espécie de epitáfio poético revisitado.
Conheço e admiro o trabalho de escrita de Nathanaëlle há muito tempo. Aceitei imediatamente a sua proposta de fazer caixões para esses insetos — para lhes dar uma sepultura e prestar atenção aos corpos mortos sob a ótica do sagrado. O objetivo final era inaugurar um verdadeiro cemitério de insetos.
Durante a residência em Goudargues pude continuar a recolher motivos para enriquecer a série. Também me diverti a experimentar diferentes formas de impressão: antótipos, cianótipos, rayogramas, explorando assim diferentes estéticas.