Hélène

Thiennot

Strasbourg

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2025

Águas mortas

Fechada definitivamente em 1966, depois de mais de cem anos de atividade, a mina a céu aberto de São Domingos deixou marca na região do Alentejo.
Quase 60 anos depois, a paisagem continua impregnada por essa época. Abandonados, os edifícios desmoronam lentamente, as pontes caem e a vegetação apodera-se do terreno, criando um cenário quase pós-apocalíptico.
Os cursos de água cavaram sulcos no terreno cheio de sulfatos, enxofre, escórias e outros resíduos de mineração, enchendo-se de poluição e de cores irreais.
Esta água, porém sem vida, tornou-se tóxica, envenenando o ambiente e correndo o risco de contaminar as barragens e os lençóis freáticos circundantes, comprometendo o abastecimento local.
Esta série de fotos segue o percurso dos cursos de água que atravessam o antigo terreno da mina, cruzando-se, contornando-se e exibindo cores extravagantes, testemunho do perigo que se infiltra lentamente na paisagem.

2020

Os ocupantes

Os ocupantes são aqueles que permanecem, aqueles que sempre foram, aqueles que desaparecem com o tempo. Eles moldam a paisagem para lhe dar um nome. Só a sua existência permite
batizar um sítio e reconhecê-lo.
Ele é.
Como um indivíduo feito de células singulares, a aura deste lugar é composta por todos esses habitantes inertes. Semelhantes ou opostos, essas presenças compõem o mosaico da identidade.
Esta série de dípticos procura, modestamente, reunir esses pequenos pedaços de alma espalhados aqui e ali.

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