2023

Goudargues Fr

27 de agosto – 3 de setembro de 2023
« et au milieu coule une rivière… »

Louise A. Depaume

Tem um sítio, uma ribeira fluindo ai, em meio.
Talvez longe de « dezasseis lieues » da minha cama de vinho onde venho dentro a casa de pedras das MarDi.
Demorei muito para perceber lhe, este agua, isso que enrola os corpos e isso que faz voar os spiritus.
São os mentes de Alice, menina aventureira e perdida no mundo desconhecido que me agarrou.
Não faz muito quente e fomos sérios meus 3 amigos da residência – pelo menos á primeira vista.
Partilhamos refeições e discussões, risadas e reflexões com nossos anfitriões.
Qualquer vezes estamos perturbados com criaturinhas aladas com um corpo amarelo e preto, elas são atraídas pois cedas para a « luz no fim do túnel », um último viagem para muitas.
Eu vaguei e encontrei livros na biblioteca ao lado de capelinha do monte, un livro de Lewis Caroll.
Pois o sol está á queimar. A ribeira chama nos. Ela foi fresca mas calma e sobretudo estamos sozinhos ou quase. Muito vez, estamos dois, cor quadricromia ou monocromia, andamos sobre os seixos e deixamos os pés na água transparente onde podemos ver o lagostim aproxima-se timidamente. Então os demônios apareceram para mim. As vezes
Era necessário caça los a través caminos de oliveiros e também a través cantos remotos onde um abrigo circular de pedra estava escondido.
Pouco á pouco, os demônios da Alice estam minhas, se transformam, espíritos de carne aprisionados em minha emulsão fotográfica.

« Lentamente ao longue de agua… O que é a Vida se não é um sonho? « 

Jérôme Quadri

Nestes últimos anos, uma grande maioria do meu trabalho fotográfico foi realizada em espaços fechados e confinados, com luz artificial, onde posso ter um grande controlo de cada sombra e de cada penumbra.
Para sair do meu estúdio, que melhor maneira de começar do que candidatando-me a passar uma semana no Gard?
Esta residência fotográfica foi, para mim, uma oportunidade de sair da minha zona de conforto, de estar mais vulnerável e de prestar mais atenção aos elementos meteorológicos, que não posso controlar.
Então, aproveitei o tempo.
De repente, tive tempo para mim: tempo para ver e absorver a atmosfera do lugar e, depois, tempo para muitos encontros…
Em primeiro lugar, encontros com a Marie e o Didier, os nossos gentis anfitriões, e encontros com os nossos companheiros fotógrafos, todos eles muito inspiradores.
Depois, foi o encontro com um território que eu não conhecia, no qual mergulhei quase como em casa, a cada pequeno caminho, para observar ambientes, luz, sol e paisagens que podia fotografar.
Por fim, houve um encontro artístico com Louise A. Depaume, feito de cumplicidade e colaboração naturais, seguindo-a enquanto trabalhava e pedindo-lhe, de vez em quando, que posasse.
O resultado do meu trabalho é o fruto de todas essas heranças, de todos os encontros de texturas, de rostos e de memórias.

Alexis Vettoretti

Garriga

Fragmentos de um lugar que já não conheço.
Fragmentos de paisagens, fragmentos de vida, fragmentos.

Já fazia anos que eu não saía para caminhar no meio deste matagal; fazia anos que tinha esquecido o seu odor, os seus espinhos.
Durante a duração de uma estadia, fotografei este lugar, caminhei por ele, visitei-o.
Esta terra calcária, terra dura e seca, onde o vento nos impede de avançar.

Uma terra sem concessões, onde a vida corre.

Sidonie Hadoux

Um café, sábado, 8 de junho de 2023, Arles. Enfim, três cafés: um para a Marie, um para o Didier e um para mim.
Foi aqui que os encontrei pela primeira vez, depois de uma semana de abertura do festival nas pernas, depois de noites curtas, depois de dezenas de exposições nos olhos. Alguns dias antes, eu tinha respondido, sem grande convicção, ao Mardi Pluriel, um post no Instagram. Agora não sei como nem porquê. Estava escrito: “Estaremos em Arles de 5 a 8 de julho, escrevam-nos e encontrem-nos.

Escrevi. Eles responderam. Fui ao encontro. Exceto que, naquela manhã de festival, éramos três pessoas que não sabiam muito bem o que faziam ali. Pois…
Mostrei-lhes, de forma desajeitada, as minhas fotos — aquilo que tento fazer há três anos, do fundo do meu ser. Pois… Compreendi que aquilo era uma residência, e que eu queria fazer parte dela. Para fazer o quê? Acho que, naquele momento, eu ainda não sabia realmente. Goudargues fica longe da minha casa, dos meus terrils, das minhas falésias, das minhas casas de tijolos vermelhos, dos meus blockhaus e também dos solos poluídos por metais pesados. Mas sei que não respondi àquela publicação por acaso. Vou descobrir como chegar até aquele rio. No fim, ele deixa-me recolher pequenas coisas entre dois diapositivos. Para olhá-lo melhor? Para me ajudar a entrar e a continuar. A Marie também me deixa recolher pequenos fragmentos dos seus pratos deliciosos. Os outros divertem-se a observar-me. Eu também. Os meus olhos riem, e o meu coração agradece.

Pois. Às vezes, estamos mais perto de casa do que imaginamos…
A norte estavam os corons, o céu tocava o horizonte, e Goudargues tornava-se uma segunda casa

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